Aplicações da Hipnose | Entretenimento versus Terapia

Percebo que existem imensas dúvidas e até preconceitos quando o assunto se trata de hipnose. O que é? Para que serve? São dúvidas recorrentes que eu pretendo esclarecer neste texto. A verdade é que podemos aplicar hipnose em muitas situações, ou seja, tem um vasto leque de aplicações e o seu uso é tão amplo que agrega um conjunto de maravilhosos benefícios. 

Antes de falar sobre o que é, gostaria de enumerar o que não é. Hipnose não é coisa de bruxos nem de pessoas mal-intencionadas, apesar de poder ser utilizada por elas. Não é um jogo de forças entre quem quer hipnotizar e quem não se deixa hipnotizar. Hipnose não é adormecer ninguém, nem dormir. Hipnose não é retirar informações da pessoa sem o seu consentimento. Hipnose não é perigoso para a saúde.

Ainda antes da derradeira definição, vamos entender um pouco mais sobre as aplicações da hipnose.

Aplicações da Hipnose

Pela cultura dos filmes e do entretenimento, a hipnose mais conhecida é a de palco ou a de rua. Contudo, existem mais 9 aplicações. Estas são as áreas de intervenção onde a hipnose pode ser utilizada:

  • Terapia
  • Alto Desempenho
  • Desenvolvimento Pessoal
  • Espiritualidade
  • Medicina
  • Educação, Aprendizagem e Rendimento Escolar
  • Marketing, Publicidade e Vendas
  • Desporto
  • Investigação Criminal
  • Entretenimento

Aqui é que surgem as maiores confusões, mas vamos passo a passo. A hipnose é adaptada consoante a área de intervenção. Quero com isto dizer que, dependendo do contexto, se é para entreter ou para auxiliar na cura, a maneira como o hipnotizador se comporta difere. As técnicas são as mesmas, mas são usadas de maneiras diferentes.

O facto de a hipnose ser usada no campo da investigação criminal não significa que ela seja usada exatamente da mesma maneira em terapia, por exemplo. Às vezes, sim, existem hipnotizadores que mudam a sua área de intervenção, como por exemplo, Paul Mckenna, que era um homem do espetáculo antes de iniciar a carreira de hipnoterapeuta. Chamamos hipnoterapeuta a alguém que utiliza hipnose em contextos terapêuticos.

Entretenimento versus Terapia

Hipnose de rua e de palco servem para dar espetáculo. É para impressionar e divertir. É feito crer que o hipnotizador é um místico ou tem algum dom especial. Não sendo verdade, este facto contribui para os mitos perdurarem. O hipnotizador de palco ou de rua faz o seu trabalho utilizando várias técnicas. É claro que existem pessoas que têm mais jeito para praticar hipnose do que outras e costumamos classificar isso de talento ou dom. Ser carismático ajuda. Mas todas as pessoas podem aprender a técnica.

Em hipnose terapêutica, a única coisa que se pretende atingir são os objetivos do paciente/cliente. Não é impressionar. Não é fazer com que o paciente/cliente acredite que temos um dom qualquer. É, efetivamente, com eficácia e dedicação, atingir esses resultados, quer seja curar uma fobia ou mesmo conseguir elevar a sua autoestima. Para isso também utilizamos várias técnicas.

A hipnose de entretenimento tem um objetivo que difere da terapia. Enquanto que um pretende entreter e, portanto, é exagerado e impactante, a hipnose terapêutica pretende explorar e curar a causa do problema. Portanto, podemos compreender que colocar a pessoa a fazer de animal, por exemplo, é algo que diverte e não algo que cura. Em terapia, fazemos aquilo que é eficaz para a cura e nunca fazemos hipnose sem o consentimento da pessoa. Toda a hipnose é uma auto-hipnose.

O que é Hipnose?

Já mencionei que a hipnose é uma ferramenta e vou um pouco mais longe para defini-la como um conjunto de técnicas. Para que servem essas técnicas? Para induzir o transe numa pessoa. Transe é um fenómeno natural e com ele é possível aceder a informações guardadas no subconsciente e no estado de transe é registado um aumento da atividade na troca de informação entre o consciente e o subconsciente. Portanto, a ideia não é adormecê-la, nem a deixar inconsciente, já que foi o estado de não saber o que se passa consigo inconscientemente que lhe devolveu um problema. A pessoa precisa de estar minimamente consciente para receber informação do subconsciente e assim se curar ou se realizar pessoalmente. O que acontece em estados de transe, dependendo do grau, é deixar a parte analítica do cérebro menos ativa para que não interfira no processo de cura com as suas eventuais críticas. Como o objetivo é terapêutico, estas técnicas serão usadas para promover o bem-estar, saúde e a felicidade da pessoa.

Esta questão do transe é mais natural do que imaginamos. É algo que acontece diariamente, de forma natural, a todos nós. Não se coloca a questão de se é possível hipnotizar ou não, porque é, toda a gente é hipnotizada diariamente. Coloca-se sim a questão de se a pessoa quer ser ajudada desta maneira ou não. Ninguém será forçado a ser hipnotizado, pelo menos em terapia.

Porque digo pelo menos em terapia? Repetindo, toda a hipnose é uma auto-hipnose. O que é que isto significa? Quando estás feliz, porque a tua vida corre bem, mas encontras um amigo cuja vida angustiante o leva a contar-te os seus problemas, como é que reages? É possível que dês por ti a ficar triste e a sentir compaixão. Claro que te predispões a aconselhar. Aos poucos e poucos, o teu sorriso desaparece. Aos poucos e poucos, esqueceste-te que a tua vida é maravilhosa. À medida que a conversa continua, começas a concordar com ele que a vida é um vazio. Que o país está um caos e que acontecem imensas injustiças a toda a hora e por aí vai… Acabaste de ser “hipnotizado”. Sem dar conta estiveste em estado de transe onde aceitaste as suas sugestões. Em questão de minutos, esse amigo mudou a visão que tinhas do mundo à tua volta. O mesmo acontece quando entras em contacto com a televisão, com filmes, com músicas, com as redes sociais, com notícias, etc… Se o transe acontece a todo o instante, porque não utilizar a hipnose no sentido mais positivo de todos?

Gratidão!

Sandra Silva
Hipnoterapeuta
Mestre e Terapeuta de Reiki

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