Doula Holística

Até há poucas décadas atrás, as mulheres uniam-se desde o nascimento até ao final de vida. Ajudavam-se mutuamente, escutavam-se, respeitavam-se, encorajavam-se! Aos poucos, esta irmandade foi-se perdendo e, assim, foram surgindo outras figuras de apoio, que foram entrando no seio da família, com o objetivo de apoiar. A doula, “mulher que serve”, assim entrou na vida de tantas famílias, para apoiar no nascimento dos seus bebés. Géneros à parte, porque os homens também podem ser doula… a doula não apoia a mulher apenas no nascimento dos filhos de outras mulheres. A doula apoia física e emocionalmente, a mulher e a família, desde a pré-conceção, durante a gravidez, durante o trabalho de parto e parto e, também, no pós-parto, seja ele imediato e/ou “tardio”. A doula está presente para suportar aquela família no processo de informação e tomada de decisão consciente, mas também no processo de desenvolvimento pessoal que acompanha esta nova fase, tão maravilhosa e particular, na vida desta mulher e desta família.

A doula holística faz este acompanhamento com uma visão integral desta díade mulher/família, como um todo, como um ser multidimensional que é. Acompanha a díade na sua vertente biológica, emocional e espiritual, respeitando sempre o ser único que é. Estabelece-se assim um relacionamento terapêutico de autoajuda, pelo que, a cada vez que a doula cuida da mulher/família, é dela mesma que está a cuidar, pois “semelhante atrai semelhante” (relê os nossos artigos sobre as leis espirituais), não é verdade? E, desta forma, conseguimos recuperar, uma mulher/família de cada vez, aquele espírito de cooperação e entreajuda que outrora era vivenciado pelas mulheres, no seio da sua comunidade.

Independentemente do nome/rótulo/categoria que lhe queiras dar, o conceito de “Doula Holística” é, acima de tudo, uma filosofia de vida. Não se aprende. Não se explica. Vem do coração e não exclusivamente da formação ou título profissional. E é com todo o meu coração que dou a conhecer este (não tão novo) projeto!

“Para mudar o mundo precisamos mudar a forma de nascer”

Michel Odent

Esta clássica frase do médico francês Michel Odent faz, cada vez mais, todo o sentido. Nós somos um todo multidimensional, influenciado por tudo o que nos acontece de forma mais ou menos direta, mas sempre com o propósito da nossa evolução espiritual (relê o nosso artigo sobre espiritualidade, para compreender melhor), do nosso bem Superior/Divino (como te sentires mais confortável em chamar). Desde a conceção até ao nascimento, somos influenciados por diversos acontecimentos, que nos vão acompanhar ao longo do nosso crescimento e desenvolvimento. Assim, quanto mais pacífica for esta transição, do meio intrauterino para o meio extrauterino, mais saudável será o desenvolvimento pessoal e espiritual deste novo Ser. Esta transição deixa marcas fundamentais, tanto na mulher/família, como na criança, daí ser tão importante que estes momentos sejam vividos de forma saudável, tranquila e consciente.

Com o passar dos anos e com o avanço da ciência e da tecnologia, o Ser humano foi-se afastando da sua essência e esquecendo as suas raízes. Assim esqueceu, também, que “o bebé sabe nascer” e que “a mãe sabe parir”, recorrendo a ajudas externas para concretizar um ato que, apesar de todo o apoio que possa (e é saudável) existir, é, no seu instinto mais puro, tão solitário, atrevendo-me a chamar-lhe mesmo “animalesco”, ao ato de parir. A mulher não precisa que alguém faça o parto por ela. Na sua essência, ela sabe fazê-lo maravilhosamente bem! Quanto muito, precisa sim de apoio, para que esta seja uma experiência informada, consciente e, portanto, maravilhosa, poderosa e transformadora. Mas, sobre isto, vamos falar mais à frente…

Gratidão!

Maria Sacramento
Doula Holística
Enfermeira Holística, com formação em Saúde Materna e Obstetrícia
Mestre e Terapeuta de Reiki
Mentora de Desenvolvimento Pessoal e Espiritual

Partilha!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *