Está tudo bem, não estar (sempre) tudo bem

Por vezes, oiço pessoas a questionar-me “Tu, que és mestre (de Reiki), não te zangas, pois não?” e também a afirmar “ah mas isso és tu que és zen, não te chateias”. E isto não podia estar mais longe do que na realidade acontece!

É verdade que, por ser mestre de Reiki, aprendi a lidar com algumas situações que, outrora, não conseguia. Mas isso não significa que é por ser mestre, mas sim porque a filosofia de vida do Reiki ressoou em mim, faz-me sentido e, por isso, eu aplico-a no meu dia-a-dia, assim como há tantas outras filosofias e tantas estratégias, que também podem ajudar. A mim, foi essencialmente este despertar no Reiki, que me ajudou. Para ti, o Reiki também pode ser um grande aliado, ou então não, pode fazer-te sentido qualquer outra coisa. Somos todos diferentes. O que importa, é cada um de nós encontrar o seu caminho de evolução pessoal e espiritual, que ressoe no seu próprio coração. E está tudo bem!

Mas… e quando não está tudo “bem”?

Apesar do que já foi dito, também tenho os meus momentos em que não me sinto assim tão “zen” (o que entendemos por “estar bem”), e são bastantes! Mas está tudo bem na mesma, porque esses momentos de sombra são tão importantes como os momentos de luz. O que faz a diferença é se me agarro aos momentos de sombra ou se, com eles, consigo caminhar até à luz.

E é sempre assim tão fácil?

Não! Mas, à medida que tomamos consciência das situações que temos a resolver nesta vida, já estamos a caminho de resolvê-las e, quando dermos conta, conseguimos superar-nos, se nos permitirmos a isso.

Apesar de todos os desafios (geralmente estamos habituados a chamar obstáculos ou dificuldades), de todas as situações menos agradáveis, podemos encará-las como oportunidades de aprendizagem. Porque, afinal, é o que realmente são. Em tudo o que nos acontece, temos uma oportunidade ótima de aprendizagem e de evolução. Basta, para isso, estarmos atentos e tomarmos consciência daquilo que significa para nós, determinada situação/pessoa. O que é que ressoa em mim, porque me incomoda e, nessa altura, o que posso fazer para resolver essa situação.

Vivemos numa sociedade em que, depois de adultos, aprendemos que temos de ser autossuficientes e, quase, omnipresentes. Aprendemos que devemos ser profissionais perfeitos, mães/pais perfeitos, cônjuges perfeitos, amigos perfeitos e, no fim, sobra uma entidade chamada “eu”, que se anula no meio de tanta perfeição, porque já não sabemos bem quem é esse “eu”… só que esse “EU” tem de estar no topo da nossa hierarquia de papéis. Se eu não estiver bem, não estarei bem para os outros, portanto é imperativo cuidar primeiro de mim, para que tudo o resto funcione na perfeição. E eu sou perfeita, na minha imperfeição! Cada um de nós é perfeito na sua imperfeição. Então, se eu não estiver bem, é natural, pois eu preciso de cuidar de mim e também preciso de ser cuidada, não só de cuidar dos outros. Eu permito-me reconhecer os meus momentos de sombra, permito-me acolhê-los em consciência e permito-me fazer o meu caminho em direção à luz, de mãos dadas com a minha sombra.

Com isto quero dizer que é imperativo libertar velhas crenças de martírio, punição, sofrimento, dor, esforço, escassez… para dar lugar a quem realmente somos. Se precisas de ajuda, reconhecer é o primeiro passo, depois pede e aceita a ajuda que até a ti chegar. Liberta, entrega e confia porque afinal, está tudo bem.

Gratidão!

Maria Sacramento
Mestre e Terapeuta de Reiki
Mentora de Desenvolvimento Pessoal e Espiritual

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