Ser Espiritual

O que é para ti ser uma pessoa espiritual?

Os média, os filmes, as histórias romanceadas, mostram-nos os hippies, os yoggis, os “alternativos” como pessoas vestidas com roupas coloridas e flores no cabelo, que vivem no mundo da meditação, da paz e do amor. Nessas histórias fictícias, ser espiritual é, aconteça o que acontecer, nunca sair de estados de espírito calmos e iluminados. É estar sempre feliz, com um sorriso, de forma por vezes desadequada das situações frustrantes vividas por quem os rodeia.

É isso, ser espiritual? Ser apenas luz? Ser sempre perfeito? Sorrir sempre, mesmo quando tudo corre mal?

Todos somos duais. Todos temos tanto de humano como de divino, tanto de luz como de sombra. Como dizem os antigos, e muito bem, “de sábio e de louco, todos temos um pouco”

Se temos tanto de luz como de sombra, porque é que achamos que ser espiritual é apenas viver e vibrar na luz? Como é que achamos que isso é alcançável? Como é que alguém apaga metade do que é? Simplesmente reprimimos a sombra em nós, e somos iluminados para sempre? Para onde vai essa sombra? Reprimimo-la para sempre, aconteça o que acontecer?

Quando iniciei o meu percurso no Reiki, perguntei, muito pertinentemente à minha mestre, “Tu, que és mestre, nunca te zangas?”. Ainda hoje nos rimos quando falamos nisso. Hoje sou eu mestre. E zango-me, e reclamo e perco a paciência, e desanimo.

E está tudo bem. Antes de ser mestre, sou humana. E se viesse aqui dizer que apenas sou luz e amor não estaria a viver a minha verdade. Sim, sou luz e amor. E sou sombra. E tenho trabalho a fazer na minha evolução, como todos nós. Quem não tem (salvo raras exceções), já evoluiu para outros planos.

Se queremos vibrar na luz, primeiro temos que acolher a nossa sombra, aceitá-la, acolhê-la como parte de nós, ou trabalhá-la.

Afinal, somos seres de luz que viemos a este mundo aprender e evoluir, certo? Então, que trabalho estamos a fazer se diariamente recalcamos o negro, o negativo, o feio, e apenas mostramos metade de nós? Se não vivenciarmos a nossa sombra, não a trabalharmos, que trabalho interior estamos a fazer?

Ser espiritual é ser real

Ser espiritual é ser humano, é aceitar e viver o nosso lado sombra como parte de nós. Ser espiritual é ser coerente. Se algo me incomoda, revolta, chateia, se não gosto dos meus defeitos, das minhas atitudes, então vou trabalhar em mim para entendê-los, acolhê-los ou ultrapassá-los. E com a aceitação, entendimento e mudança, aí sim vem a iluminação e a paz.

Mas, como seres humanos que somos, carregados de defeitos (ou oportunidades de aprendizagem?), será que algum de nós resolve tudo o que vem a este mundo resolver? É um processo que não dura anos, mas sim toda a nossa vida. Afinal, todos os dias a vida nos traz novos obstáculos, desafios, frustrações… às vezes zangamo-nos, revoltamo-nos, frustramo-nos, connosco, e com os outros. Enquanto apenas mostrarmos a nossa luz, vivermos a nossa luz, não estamos a curar a sombra, não estamos a aprender com ela, não estamos a evoluir.

Então, o que é ser espiritual?

É ser humano. É ser dual. É sermos nós próprios, e trabalharmos diariamente na nossa evolução, no nosso interior, dando o nosso melhor a cada dia.

É aceitar, a nos próprios, e aos outros. E transmutar o que for necessário. E acolher o que sentirmos necessidade.

O que é ser espiritual? É ser real.

Gratidão!

Sónia Moreira
Mestre e Terapeuta de Reiki
Professora de Desenvolvimento Espiritual

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2 comentários em “Ser Espiritual

  1. Milene Macedo de Pinho Responder

    Gostei muito texto. É isso mesmo. Ser espiritual é sermos nós próprios, aceitando as nossas qualidades e também os nossos defeitos. Eu só quando comecei a respeitar me a mim primeiro e só quando aceitei o meu verdadeiro eu(aceitei as qualidades e defeitos como fazendo parte de mim) é que entendi a evolução, o caminho espiritual estava no início.sou muito mais luz a partir do momento que entendi meus defeitos e limitações e q todos os dias trabalho neles para que as limitações não voltem a serem medos e os defeitos não me deixem um ser frustrado e infeliz. Todos somos ser espirituais. Todos temos um caminho a percorrer e para isso há que entendermos a dualidade do universo e porque é que existe essa dualidade. A finalidade da dualidade é evolução, evoluímos e aprendemos quando a dualidade negativa se manifesta, e se ela se manifesta é porque temos q a aceitar e não a rejeitar. O ser humano tem por hábito rejeitar a dualidade negativa quando na verdade se deve aceitar e aprender. Gratidão

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